ABNA Brasil — O Imam Ali (a.s.) afirma, na Sabedoria 31 do Nahj al-Balaghah:
«الْحَذَرَ الْحَذَرَ، فَوَاللَّهِ لَقَدْ سَتَرَ، حَتّی کَأَنَّهُ قَدْ غَفَرَ»
“Cuidado, cuidado! Pois, por Deus, Ele encobriu tanto que parece como se já tivesse perdoado.”
Algumas fontes narrativas, entre elas o livro Tammam Nahj al-Balaghah, consideram essa frase parte das palavras do Imam Ali (a.s.) quando de sua entrada em Kufa. De modo geral, pode-se afirmar que essa máxima alida figura entre as mais conhecidas palavras do Amir al-Mu’minin (a.s.), sendo encontrada em praticamente todas as fontes hadithicas. Como exemplo, alguns pesquisadores mencionam 133 cadeias de transmissão para esse dito, incluindo obras centrais do hadith xiita, como Usul al-Kafi.
Nessa sabedoria, enfatiza-se o atributo divino da Sataridade — o encobrimento dos pecados do ser humano — de tal forma que a pessoa chega a imaginar que seus pecados já foram perdoados. Entretanto, a Sunnah divina estabelece que o perdão está condicionado ao pedido de absolvição. É evidente que, se alguém não se arrependeu de um pecado por qualquer motivo, não há fundamento para supor que tenha sido perdoado.
Por outro lado, esse adiamento e essa tolerância divina parecem constituir uma provação, para que o ser humano se arrependa, compense o seu passado e retifique a relação entre si e Deus. O método mais adequado é que a pessoa, após cada negligência ou pecado, recorra imediatamente ao arrependimento e peça perdão a Deus. Caso, ao longo do dia, por motivos como as ocupações profissionais, isso não seja possível, recomenda-se que, ao final da noite e antes de dormir, por meio do autoexame das ações, a pessoa compense essas falhas e, com arrependimento sincero, implore o perdão divino.
Em qualquer circunstância, o ser humano não deve jamais considerar-se dispensado do istighfar (pedido de perdão), devendo constantemente solicitar a Deus o perdão dos pecados e a absolvição das negligências. Que não caia no esquecimento dos pecados nem na repetição das distrações, afastando-se gradualmente de Deus.
A relação entre sabedoria (hikmah) e sataridade é outro ponto que merece atenção contínua. Um Ser sábio não concede o perdão sem razão; contudo, por uma visão sábia, pode adiar as consequências dos pecados e o despertar para os danos da negligência. Essa compreensão equilibrada dos atributos divinos e da harmonia entre eles é um princípio que deve ser sempre considerado.
Fontes:
[1] Payam-e Nahj al-Balaghah, Sharh-e Nahj al-Balaghah, Ayatollah al-‘Uzma Makarem Shirazi.
[2] Fi Zilal Nahj al-Balaghah, Muhammad Jawad Mughniyah, trad. Gholam-Hossein Ansari.
[3] Rawat wa Muhaddithin Nahj al-Balaghah, Prof. Muhammad Dashti.
[4] Farhang-e Vazhgan Nahj al-Balaghah, Mansur Pahlavan.
[5] Tarjomeh-ye Manzum Nahj al-Balaghah, Omid Majd.
[6] Tammam Nahj al-Balaghah, Sayyid Sadeq Mousavi Shirazi.
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