ABNA Brasil — A Sabedoria 32 do Nahj al-Balaghah é transmitida do Imam Ali (a.s.) com a seguinte expressão:
«فَاعِلُ الْخَیْرِ خَیْرٌ مِنْهُ، وَ فَاعِلُ الشَّرِّ شَرٌّ مِنْهُ»
“Aquele que pratica o bem é melhor do que o próprio bem que pratica, e aquele que pratica o mal é pior do que o próprio mal que comete.”
Essa afirmação foi registrada em diversas fontes narrativas, algumas das quais foram compiladas muitos anos antes da organização do Nahj al-Balaghah por Sayyid Radi. Alguns pesquisadores mencionam cerca de quarenta cadeias de transmissão para essa narração.
Um ponto relevante em alguns desses relatos é que essa sentença era amplamente conhecida entre a Ahl al-Bayt (a.s.). Além do Amir al-Mu’minin (a.s.), ela foi transmitida por outros Imames infalíveis (a.s.). Por exemplo, essa tradição aparece no livro Wasa’il al-Shi‘a como sendo narrada do Mensageiro de Deus (s.), e no Amali Sheikh Tusi como sendo transmitida do Imam Ja‘far al-Sadiq (a.s.). Além disso, fontes sunitas, como o Musnad de Ahmad ibn Hanbal, também registraram essa palavra do Imam Ali (a.s.).
Tudo indica que esse ensinamento fazia parte das recomendações do Imam Ali (a.s.) aos seus próprios filhos, pois, em fontes narrativas, ele aparece como parte de seu testamento dirigido a Muhammad ibn al-Hanafiyya ou em uma carta enviada ao Imam Hassan (a.s.).
É evidente que toda ação praticada por uma pessoa é o resultado de seus pensamentos, experiências e decisões que, quando acompanhados de capacidade e possibilidade, se manifestam externamente como uma boa ação ou uma má ação. Ao chamar atenção para esse ponto, o Imam Ali (a.s.) considera o “praticante do bem” superior à própria ação boa, pois esse indivíduo, no momento de realizar o bem, reúne em si um conjunto de pensamentos, experiências, decisões e capacidades que o conduzem à prática virtuosa. O mesmo raciocínio se aplica, de forma inversa, ao “praticante do mal”.
Embora diversas explicações tenham sido apresentadas para justificar por que o praticante do bem é melhor do que sua ação e o praticante do mal é pior do que sua conduta, parece apropriado mencionar, nesse contexto, a narração do Imam Muhammad al-Baqir (a.s.), que afirma:
«نِیَّةُ الْمُؤْمِنِ خَیْرٌ مِنْ عَمَلِهِ، وَ ذٰلِکَ لِأَنَّهُ یَنْوِی مِنَ الْخَیْرِ مَا لا یُدْرِکُهُ؛ وَ نِیَّةُ الْکَافِرِ شَرٌّ مِنْ عَمَلِهِ، وَ ذٰلِکَ لِأَنَّ الْکَافِرَ یَنْوِی الشَّرَّ وَ یَأْمُلُ مِنَ الشَّرِّ مَا لا یُدْرِکُهُ»
“A intenção do crente é melhor do que sua ação, pois ele intenciona bens que não consegue realizar; e a intenção do incrédulo é pior do que sua ação, pois ele intenciona males que não tem capacidade de concretizar.”
Embora até hoje tenham sido realizadas poucas pesquisas específicas sobre o conceito de ‘praticante do bem’ e a psicologia das pessoas que realizam ações virtuosas, com o objetivo de identificar suas características de personalidade, no caso dos ‘praticantes do mal’ existem numerosos estudos voltados às causas psicológicas e aos traços de personalidade desses indivíduos. Como exemplo, podem ser citadas as pesquisas desenvolvidas nas áreas de psicologia criminal e criminologia social em centros acadêmicos e universitários.
Esse ensinamento do Amir al-Mu’minin (a.s.) demonstra que, no pensamento islâmico, o valor moral do ser humano não se limita ao ato isolado, mas está profundamente enraizado em sua intenção, caráter e estrutura interior.
Your Comment