Agência Internacional de Notícias da Escola Ahlulbayt (a.s.) – ABNA: Após derrotas estratégicas nos campos duros, os inimigos da República Islâmica entraram hoje no campo suave e na guerra cognitiva. A mais recente tática midiática deles é: “O governo do Irã se considera invencível e isso significa que se considera Deus”. Este ataque, porém, não é uma dúvida filosófica profunda, mas uma resposta invertida à estratégia central do Líder Mártir da Revolução — estratégia que ele reiterava em todos os encontros com autoridades e com o povo: “Vocês devem injetar o espírito de esperança no povo. Esta esperança não é ilusória, mas real, porque se baseia nos capitais verdadeiros da nação e nas promessas divinas.”
O próprio Líder da Revolução é, na prática, o modelo dessa criação de esperança. Nas condições mais amargas, apontando para as capacidades dos jovens, os avanços científicos, a resistência popular e as experiências bem-sucedidas, ele traçava um horizonte mais brilhante. Agora, o inimigo mira exatamente esse ponto forte para apresentá-lo como equivalente a “autodeificação”, ignorando que essa esperança não nasce do orgulho, mas é do tipo “لَا تَقْنَطُوا مِن رَّحْمَةِ اللَّهِ” (1).
O que se extrai das declarações do Líder Mártir da Revolução pode ser categorizado em quatro eixos principais:
1. Criação de esperança pela liderança: mostrar capitais reais para afastar o desespero
A principal característica das declarações esperançosas do Líder da Revolução era o recurso a realidades de campo e aos pontos positivos do sistema. Para dar esperança ao povo, ele citava estatísticas de produção de conhecimento, o crescimento de empresas criativas, as capacidades defensivas, a presença entusiástica da geração jovem nos campos científicos e a resistência tenaz do povo contra as sanções. Esta criação de esperança não é ilusória, sustentada por slogans e imaginação, mas consiste em extrair talentos não vistos e recordar dias ainda mais difíceis pelos quais a nação passou com confiança em Deus.
Quando ele dizia “Nós temos a mão superior” ou “O futuro nos pertence”, essas frases tinham respaldo objetivo e de fé, e não eram afirmações exageradas. Esta visão é o complemento do versículo “وَلَا تَهِنُوا وَلَا تَحْزَنُوا وَأَنتُمُ الْأَعْلَوْنَ إِن كُنتُم مُّؤْمِنِينَ” (2): se sois crentes, sois os superiores. Deus prometeu este “أَعْلَوْنَ” aos crentes. Se os verdadeiros crentes acreditarem nesta promessa e a repetirem, estarão se declarando Deus? Ou estarão confiando na promessa de Deus?
2. O desespero é tática do inimigo; a esperança é arma do crente
O inimigo concentrou todo o seu investimento midiático no eixo “injeção de desespero”. O objetivo é fazer o povo acreditar que o caminho não leva a lugar nenhum, que a resistência é inútil e que o sistema está à beira do colapso. Em oposição, o Líder da Revolução considerava a “esperança” um dever religioso e uma jihad de esclarecimento. Por quê? Porque, na lógica do Alcorão, o desespero da misericórdia e da vitória de Deus não é apenas uma fraqueza psicológica, mas um desvio doutrinário profundo: “إِنَّهُ لَا يَيْأَسُ مِن رَّوْحِ اللَّهِ إِلَّا الْقَوْمُ الْكَافِرُونَ”. Portanto, o verdadeiro crente não pode estar desesperado.
Quando a República Islâmica diz “Não seremos derrotados”, na verdade está declarando que está conectada ao Deus invencível, que não desespera de Sua misericórdia e que, no caminho da verdade, não se rende ao falso. Isso significa exatamente o oposto da autodeificação: é apoiar-se em um poder superior a si mesmo. Se se considerasse Deus, não precisaria de Deus; porém, o lema central desta nação e de seu líder sempre foi e é “Deus está conosco” e “Vitória vem de Deus”.
3. “Vitória” na visão esperançosa significa resistência, significa não desesperar do espírito de Deus
Alguns críticos perguntam: como vocês dizem que não foram derrotados enquanto comandantes são martirizados e as pressões aumentam? Esta pergunta surge de uma visão materialista do conceito de vitória. A criação de esperança dos líderes divinos muda a definição de “vitória”. Vitória significa não recuar dos ideais. Vitória significa que o inimigo não consegue quebrar a sua vontade. Vitória é aquela frase histórica do Imam Khomeini (que Deus o tenha em Sua misericórdia): “Estamos incumbidos do dever, não do resultado.” Esta afirmação é o auge da esperança tawhídica.
Significa que temos a obrigação, pedimos o resultado a Deus e, mesmo se formos martirizados, não o consideramos derrota, mas o chamamos de “fouz azim” (grande vitória). Esta visão manteve vivo o espírito de esperança nos momentos mais difíceis da história contemporânea do Irã: da Defesa Sagrada à defesa dos santuários, das sanções paralisantes aos assassinatos de cientistas nucleares. Toda vez que o inimigo pensou que o Irã havia sido derrotado, este espírito nascido da fé manteve a nação de pé. Esta esperança não é ilusória; é uma esperança que muitas vezes se transformou em vitória concreta e que, há mais de cinquenta noites, faz o mundo morder os dedos de espanto diante de tanta esperança dos iranianos.
4. Esperança real significa ver os pontos positivos e os capitais sociais, não fechar os olhos para as fraquezas
O ponto ignorado nas análises dos críticos é este: a criação de esperança pelo Líder da Revolução não significa negar os problemas ou ignorar as fraquezas. Na verdade, ele falou com franqueza muitas vezes sobre problemas econômicos, corrupção e ineficiências. A diferença está em que a visão esperançosa mantém o equilíbrio: ao lado de ver as falhas, também vê os “capitais”. Força humana jovem, recursos naturais, posição geopolítica, quarenta e cinco anos de experiência de governança em meio a tempestades e, acima de tudo, a fé e o ardor religioso do povo.
Este método é exatamente o método do Alcorão: o Alcorão, ao lado do aviso, dá boa-nova. Fala tanto do castigo quanto da misericórdia vasta. Ver apenas um lado — as trevas — e não ver os pontos fortes é obra de Satanás, que leva o ser humano ao desespero. Em oposição, a esperança real é ver o conjunto da realidade e crer na vitória da frente da verdade.
A tentativa das salas de pensamento do inimigo de se apropriar do conceito de “esperança” e transformá-lo em “autodeificação” é um jogo perigoso sobre a mesa cognitiva da nação iraniana. Porém, esta linha publicitária desmorona com uma simples contradição: a República Islâmica nunca disse “Eu sou invencível sem Deus”, mas sempre declarou: “Com confiança em Deus e no cumprimento da obrigação divina, não me rendo ao falso e não desespero de Sua vitória.”
O Líder Mártir da Revolução foi o espelho perfeito desta visão; ele, apoiando-se nos capitais humanos e nas promessas verídicas de Deus, mantinha viva a chama da esperança no coração da nação. Esta esperança não é um slogan político vazio, mas uma obrigação corânica: “فَاسْتَقِمْ كَمَا أُمِرْتَ” (3). E a constância sem esperança é impossível. O inimigo quer apagar esta luz para pavimentar o caminho à sua dominação, mas ignora esta verdade: “يُرِيدُونَ لِيُطْفِئُوا نُورَ اللَّهِ بِأَفْوَاهِهِمْ وَاللَّهُ مُتِمُّ نُورِهِ وَلَوْ كَرِهَ الْكَافِرُونَ” (4). A República Islâmica se considera serva esperançosa de Deus, não reivindicante da divindade; e este é o maior capital que nenhum poder é capaz de se apropriar.
Zahra Salehi Far Especialista sênior em Alcorão e Hadith, estudante de mestrado em Gestão de Mídia, Universidade Baqir al-Ulum
Notas de rodapé
- Surata Az-Zumar, versículo 53
- Surata Aal-i Imran, versículo 139
- Surata Hud, versículo 112
- Surata As-Saff, versículo 8
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