Agência Internacional de Notícias Ahlulbayt (ABNA): De acordo com os versículos do Sagrado Alcorão (Hud/45-46, Tawba/114, Mumtahana/4, Tawba/80, Munafiqun/6 etc.), algumas preces dos profetas não foram atendidas. Diante disso, surge a seguinte pergunta: qual é o segredo da não aceitação dessas preces? Será que os profetas não conheciam as etiquetas da aceitação das súplicas? A não aceitação da prece dos profetas representa uma imperfeição para eles?
A questão da prece e sua aceitação é um dos conceitos centrais no sistema cognitivo do Sagrado Alcorão. Embora Deus tenha prometido atender às preces (1), em alguns casos a prece ou o pedido de perdão dos profetas em relação a certas pessoas não foi aceito. Isso pode gerar a pergunta: por que a prece dos profetas, apesar de sua elevada posição de infalibilidade e proximidade com Deus, não foi aceita em alguns casos? Isso indica uma imperfeição em sua posição ou falta de conhecimento sobre as condições de aceitação da prece?
Uma análise precisa dos versículos do Alcorão demonstra que a não aceitação de algumas preces não só não constitui imperfeição, como faz parte do sistema sábio de Deus e é uma manifestação da perfeição cognoscitiva e da servidão dos profetas.
Princípio Fundamental: A Sabedoria e a Lei Divina Governam a Prece
Primeiramente, deve-se observar que, na lógica do Alcorão, a prece nunca significa impor a vontade do servo a Deus, mas sim um pedido dentro do quadro da sabedoria divina. Deus é o Onisciente absoluto e conhece os interesses reais dos servos melhor do que eles próprios. Portanto, a aceitação da prece está condicionada à sua harmonia com as leis divinas e o sistema de Sua sabedoria. Em outras palavras, a prece é uma das causas, e não a causa única. Se uma prece entrar em conflito com uma lei definitiva de Deus — como a realização do castigo para os incrédulos obstinados ou a privação de perdão para os opositores obstinados —, ela não será atendida. Isso também se aplica às preces de alguns profetas.
Os profetas, como servos mais completos de Deus, estavam no auge da servidão e da submissão. Eles faziam preces e pediam perdão não para impor sua vontade, mas para cumprir seu dever de servidão. Quando a resposta divina era contrária ao seu pedido, eles a aceitavam com perfeita submissão.
Análise do Caso do Profeta Noé (a.s.) e seu Pedido
De acordo com os ensinamentos do Sagrado Alcorão, os profetas não possuíam conhecimento inato do oculto e só tomavam conhecimento dos segredos por meio do ensinamento divino. Por isso, nos versículos 45 e 46 da surata Hud, quando o filho do Profeta Noé (a.s.) se afogou durante o dilúvio, ele, com base na promessa divina de salvar sua família, questionou como seu filho — que fazia parte de sua família — havia se afogado. No entanto, ele tinha certeza de que Deus é o mais sábio dos juízes e que Sua sabedoria, ciência, justiça, infalibilidade e poder são absolutos e não têm qualquer deficiência. Portanto, a pergunta do Profeta Noé (a.s.) não era um pedido de salvação para seu filho (pois foi feita após o afogamento), mas sim uma busca de compreensão sobre o ocorrido. Naquele momento, já havia ficado claro para Noé (a.s.) que seu filho era incrédulo e, por causa de sua incredulidade, não pertencia ao grupo dos salvos. O Profeta de Deus nunca pede perdão para um incrédulo. (2)
O Pedido de Perdão do Profeta Abraão (a.s.) por seu Tio Azar
O Sagrado Alcorão afirma claramente que o Profeta e os crentes não têm o direito de pedir perdão para os politeístas cuja inimizade com Deus e condenação ao Inferno já estão comprovadas. Esse é um dos mandamentos fixos e imutáveis da religião divina. O pedido de perdão, assim como a prece, é, na verdade, um pedido para fortalecer o vínculo com Deus. Portanto, pedir perdão para um politeísta que rompeu completamente seu vínculo com Deus e cuja inimizade e condenação ao Inferno são definitivas e evidentes, é algo inútil, sem sentido e, na verdade, proibido. (3)
O Profeta Abraão (a.s.), diante da grosseria e das ameaças de seu tio Azar, em vez de reagir da mesma forma, prometeu com paciência e tolerância pedir perdão e orientação para ele. Isso ocorreu em um momento em que ainda não estava claro que Azar seria condenado ao Inferno e era inimigo de Deus. Quando sua condenação ao Inferno e sua hostilidade contra Deus se tornaram claras para Abraão (a.s.), ele se distanciou dele, e Deus Todo-Poderoso o apresentou como o modelo perfeito de rompimento com os politeístas. (4)
Portanto, o pedido de perdão só é eficaz quando a incredulidade e a obstinação não são definitivas. Mas quando a incredulidade e a hostilidade se tornam definitivas, o pedido de perdão não tem efeito e é inútil.
A Inutilidade do Pedido de Perdão para os Hipócritas
O Sagrado Alcorão também afirma que tanto o pedido de perdão quanto a ausência dele por parte do Profeta em relação aos hipócritas são equivalentes, (5) porque pedir perdão para eles não traz o menor benefício ou efeito. Isso não se deve à ineficácia da prece do Profeta, mas sim à incredulidade dos hipócritas, que impede a abrangência do perdão divino. Esse obstáculo não é removido pela presença ou ausência do pedido de perdão. Portanto, a falta de efeito do pedido de perdão do Profeta pelos hipócritas deve-se ao fato de que eles negaram Deus e Seu Mensageiro, e com sua incredulidade e hipocrisia tornaram-se ímpios e saíram do caminho da servidão. Deus não guia os ímpios, enquanto o perdão divino é a orientação para a felicidade e a perfeição. Por isso, o perdão não os alcança. (6)
Conclusão
De acordo com os ensinamentos do Sagrado Alcorão, a prece se realiza dentro do quadro da sabedoria e das leis definitivas de Deus e nunca significa impor a vontade do servo sobre o Criador. Os profetas divinos, como servos mais perfeitos de Deus, faziam preces e pediam perdão por pura servidão e cumprimento do dever, e não para alterar as leis definitivas de Deus. Nos casos em que, aparentemente, suas preces não foram atendidas, isso não indica imperfeição em sua posição, mas sim uma manifestação da soberania da sabedoria divina e um sinal de sua completa submissão à vontade de Deus.
Resposta Resumida
De acordo com os ensinamentos do Sagrado Alcorão, a prece se realiza dentro do quadro da sabedoria e das leis definitivas de Deus, e sua aceitação está condicionada à existência de requisitos e à ausência de obstáculos. Portanto, a não aceitação de algumas preces ou pedidos de perdão dos profetas não se deve a qualquer imperfeição em sua posição de infalibilidade ou proximidade divina, mas à existência de obstáculos como incredulidade e hostilidade definitiva das pessoas pelas quais oravam. Isso porque a lei divina determina que o perdão abrange apenas aqueles que possuem capacidade de orientação e retorno. Os profetas também oravam por pura servidão e, caso não fossem atendidos, aceitavam com perfeita submissão a sábia vontade de Deus.
Fontes para Estudo Adicional
- Javadi Amoli, Abdullah. Tasnim. Irã - Qom: Editora Isra, vol. 38, pp. 355-359; vol. 35, pp. 376-384.
- Tabataba’i, Muhammad Husayn. Al-Mizan fi Tafsir al-Qur’an. Beirute - Líbano: Mu’assasat al-A’lami lil-Matbu’at, 1352 sh, vol. 9, pp. 351 e 397.
Notas de rodapé:
- Surata Ghafir, versículo 60.
- Ver: Javadi Amoli, Abdullah. Tasnim. Irã - Qom: Editora Isra, vol. 38, pp. 355-359.
- Ver: Javadi Amoli, Abdullah. Tasnim. Irã - Qom: Editora Isra, vol. 35, pp. 376-384; Tabataba’i, Sayyid Muhammad Husayn. Al-Mizan fi Tafsir al-Qur’an. Beirute, vol. 9, p. 397.
- Ver: Javadi Amoli, Abdullah. Tasnim, vol. 35, pp. 376-384.
- Surata Tawba, versículo 80 e Surata Munafiqun, versículo 6.
- Ver: Tabataba’i, Sayyid Muhammad Husayn. Al-Mizan fi Tafsir al-Qur’an. Beirute, vol. 9, p. 351.
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