ABNA Brasil — Mu‘awiya, no início do governo do Amir al-Mu’minin Imam Ali (a.s.), promoveu uma série de guerras, conspirações, sedições e operações de manipulação da opinião pública para enfrentá-lo. O auge dessa hostilidade manifestou-se no episódio da Batalha de Siffin. Entre essas sedições, encontram-se tanto exemplos de saques militares e de criação de insegurança nas cidades quanto esforços contínuos de guerra psicológica, por meio da falsificação de notícias, disseminação de boatos e práticas semelhantes, amplamente registradas nas fontes históricas.
A Carta 33 do Nahj al-Balaghah é dirigida por Imam Ali (a.s.) a Qutham ibn ‘Abbas, seu governador em Meca. Nela, o Imam o adverte acerca de uma das conspirações de Mu‘awiya, que consistia em explorar o período do Hajj para promover guerra psicológica e espalhar rumores contra o governo alida. Segundo essa carta, um grupo havia ingressado secretamente em Meca durante os dias do Hajj; algumas fontes históricas estimam o número desses agentes infiltrados em cerca de três mil pessoas, o que revela a dimensão da conspiração contra o governo.
O Amir al-Mu’minin (a.s.) descreve assim as características desses indivíduos:
“Meu informante no Ocidente escreveu-me, informando-me de que foram enviados ao local da peregrinação homens do povo da Síria: cegos de coração, surdos de audição e obtusos de visão; aqueles que revestem o falso com a aparência da verdade, obedecem à criatura na desobediência ao Criador, ordenham a seiva do mundo por meio da religião e trocam o imediato deste mundo pelo porvir destinado aos justos e piedosos. E ninguém alcança o bem senão quem o pratica, e ninguém recebe a retribuição do mal senão quem o comete.”
As descrições apresentadas nessa parte da carta expõem as características dos “opositores obstinados”: pessoas que, por serem cegas de coração, surdas e cegas, foram privadas de ver, ouvir e compreender a verdade. Em essência, fecharam para si mesmas todos os caminhos do reconhecimento da verdade e eliminaram a possibilidade de orientação. O resultado dessa condição é embelezar o falso, obedecer à criatura em vez de adorar o Criador e vender a religião para obter benefícios materiais. Por essa razão, não é possível dialogar com eles por meio do chamado “jihad do esclarecimento”; ao contrário, deve-se enfrentá-los com firmeza jurídica e militar.
Nesse comando governamental, o Imam Ali (a.s.) orienta a forma de lidar com tais opositores:
“Sustenta, pois, o que está sob tua responsabilidade com a firmeza do prudente resoluto e do conselheiro sensato, daquele que segue a autoridade que lhe cabe e obedece ao seu Imam.”
Com base nisso, ao enfrentar os opositores obstinados, é necessário reunir: prudência aliada à firmeza; benevolência acompanhada de racionalidade e discernimento; observância das leis do governo — como as normas judiciais — e obediência às determinações da autoridade legítima, assim como a obediência às diretrizes da Wilayah. Ao mesmo tempo, deve-se evitar qualquer ação que exija pedido de desculpas posterior:
“Evita aquilo pelo qual tenhas de te desculpar.”
Do mesmo modo, não se deve agir com arrogância diante das bênçãos e vitórias, nem com fraqueza diante das dificuldades e provações:
“Não sejas insolente na prosperidade, nem covarde na adversidade.”
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