ABNA Brasil — A palavra do Imam Ali (a.s.), registrada na Sabedoria 33 do Nahj al-Balagha com a expressão:
«كُنْ سَمْحاً وَ لا تَكُنْ مُبَذِّراً، وَ كُنْ مُقَدِّراً وَ لا تَكُنْ مُقَتِّراً»
—
“Sê generoso, mas não sejas perdulário; sê ponderado, mas não sejas avarento” —
assim como muitas outras sabedorias do Nahj al-Balagha, faz parte do testamento do Amir al-Mu’minin (a.s.) a seu filho Muhammad ibn al-Hanafiyya, sendo também narrada na obra Wasa’il al-Shi‘a. Essa mesma fonte, assim como outras obras, entre elas Furu‘ al-Kafi, considera essa frase parte de uma carta do Imam Ali (a.s.) dirigida ao Imam Hassan (a.s.). Além disso, com uma análise geral, é possível identificar cerca de quarenta fontes para essa narração, o que evidencia a importância dessas palavras entre os Imames Imaculados (a.s.).
A moderação, em qualquer campo, é uma característica da pessoa sábia. O excesso em qualquer coisa, inclusive nas virtudes humanas, é considerado reprovável. Embora, à primeira vista, essa orientação seja expressa em termos econômicos, ela pode ser estendida à necessidade de equilíbrio em todas as dimensões morais e sociais da vida.
Embora distribuas da mesa da bênção,
afasta-te do desperdício, ó generoso.
Mantém o limite e não te imponhas dureza,
para que não surja o nó entre tuas sobrancelhas.
A observância da moderação é uma necessidade vital para a vida mundana. O Alcorão Sagrado, ao enfatizar essa exigência, chama a atenção para a rejeição tanto do excesso quanto da negligência nas questões econômicas. Como exemplo, nos versículos 26 e 27 da Surata al-Isra’, ao condenar o tabdhīr (desperdício), afirma-se:
«وَ آتِ ذَا الْقُرْبی حَقَّهُ وَ الْمِسْكِينَ وَ ابْنَ السَّبِيلِ وَ لا تُبَذِّرْ تَبْذِيرًا * إِنَّ الْمُبَذِّرِينَ كَانُوا إِخْوَانَ الشَّيَاطِينِ»
“Concede ao parente próximo o seu direito, assim como ao necessitado e ao viajante, e não desperdices; em verdade, os desperdiçadores são irmãos dos demônios.”
Do mesmo modo, no versículo 67 da Surata al-Furqan, lê-se:
«وَ الَّذِينَ إِذَا أَنْفَقُوا لَمْ يُسْرِفُوا وَ لَمْ يَقْتُرُوا وَ كَانَ بَيْنَ ذَٰلِكَ قَوَامًا»
“E [os servos do Misericordioso] são aqueles que, quando gastam, não são excessivos nem avarentos, mas mantêm um justo equilíbrio entre ambos.”
Em uma explicação mais detalhada, pode-se dizer que isrāf significa consumir além do limite apropriado, enquanto tabdhīr refere-se a gastar de forma imprudente e sem sabedoria. À luz dessa distinção, embora o isrāf seja reconhecido como um dos grandes pecados no Islã, aqueles que atuam nos gastos econômicos sem discernimento e prudência caem no tabdhīr, grupo que o Alcorão Sagrado descreve como “irmãos de Satanás”.
Se analisarmos, sob uma perspectiva contemporânea, o fenômeno do tabdhīr no âmbito macroeconômico das organizações, é necessário inicialmente examinar a expressão “desperdício e apropriação indevida”. Nessa expressão, a “apropriação” pode ser associada a práticas como desfalque ou corrupção financeira, cujas consequências, tanto neste mundo quanto no Além, são inevitáveis, conforme abordado pelo Imam Ali (a.s.) em seus sermões e cartas no Nahj al-Balagha.
Já o “desperdício” pode ser interpretado como a realização de ações sem planejamento ou sabedoria racional. Exemplos disso podem ser observados em diversos setores, como a insistência na construção de múltiplos aeroportos em diferentes cidades sem considerar o volume real de passageiros, ou a celebração de contratos esportivos dispendiosos sem resultados concretos. Esses casos constituem exemplos claros de desperdício dos bens públicos (Bayt al-Mal), cujo título corânico e narrativo é precisamente tabdhīr.
Fontes
[1] Payam-e Imam, Sharh-e Nahj al-Balagha, Ayatollah al-‘Uzma Makarem Shirazi.
[2] Ruwat wa Muhaddithin-e Nahj al-Balagha, Muhammad Dashti.
[3] Farhang-e Vazhgan-e Nahj al-Balagha, Mansur Pahlavan.
[4] Tarjome-ye Manzum-e Nahj al-Balagha, Omid Majd.
[5] Fi Zilal Nahj al-Balagha, Allama Muhammad Jawad Mughniyya, tradução de Gholamhossein Ansari.
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