De acordo com a Agência Internacional de Notícias Ahlulbayt (ABNA): O Hojatol Islam wal-Muslimin Mohammad Hossein Amin, escritor e pesquisador religioso, em um artigo exclusivo para a ABNA, explica o elevado lugar da justiça na conduta islâmica e a necessidade de se manter fiel à equidade no trato com os opositores. Leia a seguir:
O Alcorão e a balança da imparcialidade; a fronteira entre fé e rancor
No vocabulário do Alcorão, a fé verdadeira se manifesta quando o ser humano não permite que as chamas da ira e do rancor contra um grupo ou pessoa o desviem do caminho da justiça. Deus adverte os crentes com toda clareza para que a inimizade contra os outros não os leve a pisar sobre a verdade e se afastar da justiça. [۱]
Esta ordem divina considera a “justiça” um princípio absoluto que, sob nenhuma circunstância — nem mesmo no auge das disputas políticas e religiosas —, pode ser violado. O Alcorão diz: “Wa la yajrimannakum shana’anu qaumin ala alla ta’dilu” — “Que o ódio contra um povo não vos incite a não serdes justos”. [۲]
Esta versículo traça a fronteira mais precisa entre um ser humano piedoso e alguém prisioneiro de seus desejos egoístas.
Portanto, se no espaço virtual ou real, sob o pretexto de que alguém é “inimigo”, atribuirmos a ele defeitos que não possui ou ocultarmos suas qualidades, na realidade saímos do círculo da servidão a Deus. Justiça significa ver a realidade como ela é, e não como nossa ira deseja. A religiosidade sem justiça é um corpo sem alma que apenas carrega a reivindicação de fé.
Praticando a cavalheirismo na escola alauíta; justiça para todos
A conduta do Imam Ali (que a paz esteja com ele) no trato com opositores — e até mesmo com aqueles que entraram em guerra contra ele — é uma aula incomparável de justiça. Ele nem mesmo permitia que seus companheiros xingassem o inimigo no campo de batalha e dizia: “Inni akrahu lakum an takunu sabbabin” — “Não gosto que vocês sejam ofensivos e xingadores”. [۳]
O Imam (a.s.) nos ensinou que mesmo que alguém tenha desembainhado a espada contra a verdade, não temos o direito de mentir sobre ele ou prejudicá-lo além do que é legal e religioso. Foi este espírito grandioso alauíta que, na batalha de Siffin, impediu que a água fosse cortada dos soldados inimigos, enquanto o inimigo anteriormente havia cortado a água do exército de Ali (a.s.). [۴]
Justiça na escola xiita significa que, mesmo ao criticar os inimigos mais ferrenhos, devemos mencionar os pontos positivos (se existirem) e não sair do caminho da sinceridade. O Imam Ali (a.s.) recomenda ao seu filho Imam Hassan (a.s.): “Ij’al nafsaka mizan baynaka wa bayna ghayrik” — “Coloque a si mesmo como balança entre você e os outros; o que não aceita para si, não aceite para os outros (nem para o inimigo)”. [۵]
Ética da crítica no alvoroço virtual; responsabilidade da pena e do teclado
Hoje, no espaço midiático, às vezes se vê que algumas pessoas, sob o pretexto de defender a verdade, quebram todas as fronteiras éticas contra os opositores. Difamar, zombar e cortar frases para destruir a reputação de alguém não condiz com o espírito dos ensinamentos da Ahlulbayt (a.s.). Não temos o direito de recorrer a meios impuros e antiéticos para que nosso discurso vença. [۶]
Devemos saber que cada palavra que escrevemos, se estiver um mínimo distante da verdade, seremos responsáveis por ela — mesmo que a pessoa seja nossa inimiga. O Imam Sadiq (a.s.) disse: “A justiça é uma das obrigações mais difíceis que Deus impôs aos Seus servos”. [۷]
Esta frase mostra que manter a língua e a pena dentro dos limites da justiça é um jihad que nem todos conseguem realizar.
Se quisermos uma sociedade islâmica viva e dinâmica, devemos treinar para ser, na crítica aos outros, “buscadores da verdade” e não “caçadores de falhas”. Justiça significa que, se nosso inimigo disse uma verdade, devemos aceitá-la; e se cometeu um erro, criticá-lo apenas na medida exata, nem mais. Manter-se fiel à justiça não só traz bênção à vida, como também se torna o melhor divulgador da veracidade do nosso caminho aos olhos do mundo. [۸]
Fontes e notas de rodapé:
۱. Makarem Shirazi, Naser, Tafsir-e Namuneh, vol. 4, p. 299 (sobre o versículo 8 da Surata Al-Ma’idah). ۲. Sagrado Alcorão, Surata Al-Ma’idah, versículo 8: “Ya ayyuhalladhina amanu kunu qawwamina lillahi shuhada’a bil-qisti wa la yajrimannakum shana’anu qaumin ala alla ta’dilu. I’dilu huwa aqrabu lit-taqwa…” (Ó vós que credes! Sede firmes em favor de Allah, testemunhas com justiça. Que o ódio contra um povo não vos incite a não serdes justos. Sede justos, pois isso está mais próximo da piedade…).
۳. Sharif al-Radi, Muhammad ibn Husayn, Nahj al-Balagha, Sermão 206. ۴. Ibn Abi al-Hadid, Sharh Nahj al-Balagha, vol. 3, p. 318 (incidente do corte de água na batalha de Siffin). ۵. Sharif al-Radi, Muhammad ibn Husayn, Nahj al-Balagha, Carta 31 (testamento ao Imam Hassan Mujtaba – a.s.). ۶. Kulayni, Muhammad ibn Ya’qub, Al-Kafi, vol. 2, p. 144 (Capítulo da Justiça e Equidade). ۷. Kulayni, Muhammad ibn Ya’qub, Al-Kafi, vol. 2, p. 170, hadith 8. ۸. Warram ibn Abi Firas, Majmu’at Warram (Tanbih al-Khawatir), vol. 2, p. 222.
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