A Agência Internacional de Notícias Ahl al-Bayt (que a paz esteja sobre eles) — ABNA: Imagine um ancião de noventa anos carregando sua bengala como uma bandeira sobre os ombros; uma criança de cinco anos arrastando com dificuldade seus pés cheios de bolhas sobre o asfalto quente; uma mãe apertando seu bebê contra o peito e caminhando sob o sol escaldante. Todos vieram para percorrer uma distância de oitenta quilômetros a pé. Aqui, o maior evento humano do mundo, mantido em silêncio, está acontecendo. A pergunta é: se essas imagens são tão impressionantes e humanas, por que a mídia global fecha os olhos? A resposta está no sussurro que ecoa na garganta dessas mesmas crianças e anciãos: "Hayhat Minna adh-Dhillah" — Nunca nos submeteremos à humilhação. Esse grito é o pesadelo noturno da arrogância global.
Por que uma epopeia tão grandiosa foge das lentes das câmeras da mídia ocidental?
Imagine um evento noticioso com estas características: mais de vinte milhões de pessoas, de setenta nacionalidades diferentes, percorrendo a pé uma longa distância numa das regiões mais inóspitas do Oriente Médio. Nenhum incidente de segurança ocorre. Não há tumultos. Nenhum faminto fica sem ser alimentado. Nenhum sedento deita a cabeça sem água. Tendas populares, sem receber um único real dos governos, distribuem milhões de refeições. Este evento, do ponto de vista sociológico, da gestão de crises e da antropologia, é um milagre moderno. Mas os veículos de comunicação dominantes, como se seguissem um protocolo não escrito, decidiram apagar esta "cidade de Deus" do mapa das notícias mundiais.
Por quê? Porque essas imagens são um veneno mortal para a narrativa oficial que eles constroem sobre o "Islã" e o "Oriente Médio". Durante anos, eles têm apresentado o Islã como sinônimo de violência e o Oriente Médio como sinônimo de caos. Mas agora se deparam com uma imagem em que um bebê de colo, nos braços de sua mãe, no meio do deserto, torna-se um embaixador da paz e do amor. Essa imagem desafia todos os seus estereótipos midiáticos. Se essas imagens se tornarem globais, as pessoas do mundo perguntarão: quem são estes que, com tanta bondade e abnegação, vão ao encontro do sofrimento?
Vamos ao coração dessa epopeia e sentir com nossa própria pele o sofrimento e o amor entrelaçados nesta jornada. O verdadeiro fascínio do Arbaeen está nesses detalhes; detalhes que a mídia global considera sua censura não como um erro profissional, mas como uma necessidade estratégica.
O ancião que caminha pela história. No caminho de Najaf a Karbala, imagine um ancião de noventa anos, cada passo seu acompanhado de um tremor. Ele segura firmemente sua bengala de madeira e sussurra baixinho. Você lhe pergunta por que veio por este caminho tão árduo. Lágrimas se formam em seus olhos e ele responde: "Esperei anos por este momento. Se minhas pernas não tiverem força, irei sobre minhas mãos. Hussein (que a paz esteja sobre ele) foi martirizado com os lábios secos de sede; não poderei eu dar alguns passos a pé?" Este ancião é o símbolo de uma geração que aprendeu a resistência contra a opressão não nos livros, mas na medula de sua alma. Se essa imagem fosse transmitida pelas televisões do Ocidente, o que sentiriam os idosos daquele lado, que esperam a morte em casas de repouso? Não perguntariam eles que objetivo pode dar tamanha energia e motivação a um ser humano de idade avançada?
A criança cujos pés são maiores que ela. Veja uma criança de sete anos, cujos pés pequenos estão cobertos de bolhas. Sua mãe diz: "Chega, vamos pegar um carro." Mas a criança, aos prantos, suplica: "Não, mamãe! Quero ser como a Dama Ruqayyah (que a paz esteja sobre ela). Ela também foi a pé para Karbala." Esta criança, que mal aprendeu o abecedário da vida, está escrevendo a lição da "liberdade" neste caminho. A mídia ocidental, que sempre se preocupa com o "trabalho infantil e os direitos da criança", por que esconde esta imagem? Porque esta criança não é uma criança que precisa de piedade; esta criança é uma heroína que dá grandes lições. Se seus pares na Europa e na América vissem que uma criança no Iraque sofre e se orgulha assim por um objetivo espiritual, seu sistema de valores consumistas ruiria.
O bebê que mama nos braços do Arbaeen. Uma mãe jovem com seu bebê de três meses. O vento quente do deserto avermelhou o rosto do bebê. A mãe fez de seu véu uma sombrinha para a criança e segue seu caminho. Ela diz: "Quero que meu filho beba, com meu leite, o amor a Hussein (que a paz esteja sobre ele). Quero que a primeira viagem de sua vida seja uma viagem em direção à liberdade." Esta cena é uma imagem grandiosa da transmissão geracional de uma cultura. A cultura da "luta contra a opressão" não é ensinada em salas de aula, mas no leite materno e no calor do abraço, no meio do deserto. A mídia global teme esta imagem, porque isso significa que a escola de Hussein encontrou um caminho para se multiplicar que nenhuma bomba ou míssil pode destruir.
O deficiente que, com sua cadeira de rodas, move montanhas. Um jovem que perdeu as pernas na guerra avança com sua cadeira de rodas em meio à multidão. Às vezes, as rodas da cadeira atolam na lama ou na areia movediça. As pessoas o levantam nos braços. Ele diz: "Perdi minhas pernas defendendo o santuário, mas não perdi meu coração. Com esta cadeira de rodas, declaro que mesmo que nos cortem as pernas, continuaremos no caminho de Hussein (que a paz esteja sobre ele)." Esta cena é a demonstração de um poder invencível que vem da fé. A mídia não mostra isso, porque se aqueles que vivem sob opressão física e econômica no mundo vissem esta cena, compreenderiam que a deficiência e a limitação não são o fim do caminho.
A Dissecção de um Medo Estratégico; Por que "Hayhat Minna adh-Dhillah" é Perigoso?
Chegamos agora ao núcleo central de seu medo: o grito "Hayhat Minna adh-Dhillah". Este grito não é uma frase árabe antiga; é uma declaração política viva e dinâmica, e cada um que a sussurra torna-se um soldado na batalha suave contra a arrogância. A mídia teme este grito porque:
-
É uma fórmula insubstituível para dizer "não". Num mundo onde todos os mecanismos de poder são projetados para forçar as nações à submissão, "Hayhat Minna adh-Dhillah" é um modelo prático para dizer "não" aos boicotes, à ocupação e à intimidação. Quando um camponês indiano ou um trabalhador brasileiro ouve este grito na boca de uma anciã iraquiana, ele se pergunta: por que nós nos submetemos à opressão econômica?
-
Personaliza a ideologia de "Morte à América". A arrogância pode combater slogans políticos, chamando-os de "extremismo". Mas como pode combater a imagem de uma mãe que amamenta seu bebê e diz "meu filho será livre"? Essa imagem transforma o grito "Morte ao opressor" de um conceito político abstrato num valor familiar e profundamente pessoal.
-
Prova que os boicotes e as ameaças são ineficazes. Durante anos, eles têm pressionado o povo desta região com guerras e sanções para que se submeta. Mas a procissão do Arbaeen, com toda a sua grandeza, é um referendo anual que mostra que este povo não apenas não se submeteu, mas sua determinação em lutar contra a opressão se torna mais forte a cada ano. Transmitir essas imagens seria admitir o fracasso absoluto dos projetos de "sanções até a submissão".
O silêncio midiático sobre o mar ondulante do Arbaeen não é sinal de fraqueza, mas de pavor profundo. Eles temem que, se esse véu for removido, as pessoas do mundo se perguntem: o que há em Karbala que deixa um ancião de noventa anos, uma criança de sete anos, uma mãe jovem e um veterano de guerra tão inquietos? Que história se esconde por trás de tanto sofrimento e amor?
Eles temem o dia em que aquele estudante europeu ou aquele trabalhador latino-americano, ao ver a imagem de uma criança com os pés cheios de bolhas sussurrando "Hayhat Minna adh-Dhillah", desperte do sono da negligência e compreenda que a "liberdade" não é uma palavra universitária de luxo, mas uma escolha; uma escolha que um bebê faz nos braços de sua mãe, um ancião com sua bengala, e uma nação com todo o seu ser. Eles temem que, se essas imagens forem divulgadas, a escola de Hussein deixe de ser apenas para os xiitas e se torne uma receita global para quebrar as correntes da escravidão moderna. E essa é exatamente a mensagem que milhões de pés, caminhando nas estradas que levam a Karbala, indiferentes ao silêncio da mídia, gritam a cada ano.
Your Comment