12 fevereiro 2026 - 18:57
Sermões do Nahj al-Balāgha – nº 32 Uma classificação permanente para compreender a opinião pública

Não é possível analisar os fracassos de um governo sem examinar as características de seu povo, pois cada traço da população influencia diretamente a força ou a fraqueza do governo. O Imam Ali (a.s.) apresenta algumas dessas características no sermão nº 32.

ABNA Brasil — As qualidades morais, políticas e históricas mencionadas no sermão nº 32 do Nahj al-Balāgha têm sido alvo de atenção de diversos estudiosos. Esse relato aparece em fontes anteriores à compilação do Nahj al-Balāgha, como Usul al-Kafi e Tawhid de Sheikh Saduq. Outros livros, como Amali de Sheikh Mufid e Tafsir Burhan, também citam essas palavras do Imam Ali (a.s.). Trechos selecionados com lições morais ou históricas foram transmitidos por várias fontes.

Segundo algumas fontes históricas, essas palavras foram ditas no ano 37 da Hégira, durante a época da Batalha de Siffin e do evento da arbitragem (Hukm). Pelo conteúdo, parece que o sermão foi pronunciado durante as negociações da arbitragem e antes do anúncio de seus resultados, pois repreender o povo em meio à batalha seria contrário à prudência e à sabedoria. O Imam Ali (a.s.) então descreve o povo e suas características, que podem ser observadas em qualquer época ou sociedade muçulmana, oferecendo lições sobre as causas da decadência de governos e sociedades.

O Imam Ali (a.s.) descreve a época em que viviam da seguinte forma:

«ایُّهَا النَّاسُ إِنَّا قَدْ أَصْبَحْنَا فِی دَهْرٍ عَنُودٍ وَ زَمَنٍ کَنُودٍ، یُعَدُّ فِیهِ الْمُحْسِنُ مُسِیئاً وَ یَزْدَادُ الظَّالِمُ فِیهِ عُتُوّاً. لَا نَنْتَفِعُ بِمَا عَلِمْنَا وَ لَا نَسْأَلُ عَمَّا جَهِلْنَا وَ لَا نَتَخَوَّفُ قَارِعَةً حَتَّی تَحُلَّ بِنَا»»
Ó povo! Vivemos em uma era obstinada e ingrata, na qual o benevolente é considerado malfeitor e o opressor aumenta sua arrogância. Não aproveitamos o que sabemos, não perguntamos sobre o que ignoramos, e não tememos um desastre até que ele nos atinja.

Essas qualidades podem ser resumidas em sete traços:

  1. Ressentimento e rancor (kineh-tozi)
  2. Ingratidão (naspasi)
  3. Considerar o bem como mal (badkar shamordn nikokar)
  4. Expansão da opressão pelos injustos (gostaresh zalm zalaman)
  5. Ignorar o que se sabe e não agir de acordo
  6. Não perguntar sobre o que se desconhece
  7. Falta de precaução sobre o futuro

Se uma população exibir tais características, seu desenvolvimento será bloqueado e a sociedade seguirá para a decadência.

Em seguida, o Imam Ali (a.s.) classifica o povo em quatro categorias:

  1. Incapazes de cometer pecado ou causar corrupção
  2. Inimigos de Deus, que empunham a espada e buscam poder ou propaganda usando a religião
  3. Mundanos humildes, que praticam religião falsamente para obter ganhos materiais
  4. Falsos ascetas, que adotam a aparência de devoção por falta de poder para adquirir influência

Essa classificação vai além de descrever as pessoas; ela também se aplica aos governantes no mundo contemporâneo. Hoje, alguns países são impotentes e apenas observam os fluxos do "certo e errado" globalmente, enquanto outros, arrogantes e com recursos midiáticos, perseguem objetivos injustos. Os mundanos humildes e falsos ascetas, sem capacidade de influenciar, muitas vezes recomendam submissão ou permanecem em silêncio diante das injustiças.

No entanto, dentro de qualquer sociedade, existem pessoas com capacidade — ainda que limitada — de cumprir seus deveres para com a comunidade muçulmana, ou que aguardam a oportunidade de agir. O Imam Ali (a.s.) encerra o sermão indicando esse grupo, que representa esperança e ação possível para a transformação positiva.

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