12 março 2026 - 15:19
Sabedorias do Nahj al-Balagha (34): Abandonar grandes ambições materiais como caminho para a tranquilidade humana

A esperança e os desejos estão entre os melhores instrumentos que impulsionam o ser humano a lutar para alcançar seus objetivos na vida. No entanto, quando uma pessoa dedica todos os seus esforços à busca de desejos intermináveis, jamais se sentirá verdadeiramente satisfeita. Isso acontece porque ela estará sempre perseguindo novos desejos sucessivos, sem alcançar um estado de plenitude. É evidente que alguém que vive dessa forma permanecerá constantemente necessitado e dependente, e nunca experimentará a verdadeira sensação de riqueza interior e autossuficiência.

De acordo com a Agência Internacional de Notícias Ahlul-Bayt (ABNA Brasil), o sermão conhecido como “Sermão do Meio (Khutbat al-Wasila)” é um dos mais longos sermões transmitidos do Imam Ali (a.s.). Segundo algumas fontes narrativas, ele teria sido proferido como o primeiro sermão do Imam Ali (a.s.) após o falecimento do Profeta Muhammad (s.a.w.). Esse sermão contém diversos ensinamentos éticos e doutrinários, além de abordar o tema da usurpação do governo islâmico. O texto completo desse sermão foi registrado em Rawdat al-Kafi, e outras obras, como Amali de Shaykh al-Saduq e Tuhaf al-Uqul, também citaram partes dele.

Nesse sermão existem cerca de noventa frases contendo recomendações éticas. Sayyid al-Radi, compilador do Nahj al-Balagha, procurou incluir algumas dessas frases na seção das sabedorias (hikmat).

A Sabedoria nº 34 do Nahj al-Balagha é justamente parte desse sermão e afirma:

“Ashraf al-ghinā tark al-munā” — “A mais nobre riqueza é abandonar os desejos (excessivos).”

Essa mesma frase do Comandante dos Fiéis, Imam Ali (a.s.), também aparece novamente como parte da Sabedoria nº 211.

É evidente que o ser humano, sem esperança e sem desejos, dificilmente teria motivação para agir, podendo cair no desânimo e na tristeza. Portanto, não se pode entender que o objetivo dessa frase seja “abandonar todos os desejos”. Entretanto, a atenção excessiva a grandes ambições — especialmente às ambições materiais e mundanas — afasta a pessoa da elevação espiritual, da reflexão sobre a vida eterna e do encontro com Deus. Essa é uma das maiores perdas na vida humana.

Por outro lado, aquele que concentra todos os seus objetivos apenas na realização de desejos materiais acaba gastando toda a sua energia para alcançá-los e, muitas vezes, torna-se dependente dos outros. Essa dependência pode levá-lo à humilhação. Por isso, administrar os desejos e manter um equilíbrio entre aspirações materiais e espirituais é uma das questões mais importantes às quais o ser humano deve prestar atenção ao longo da vida.

Entre os ensinamentos do Imam Ali (a.s.) registrados no nobre livro Nahj al-Balagha, tanto as ambições excessivamente longas foram criticadas quanto as aspirações nobres foram valorizadas. Por exemplo, no Sermão 86, ele apresenta as esperanças ilusórias como algo que enfraquece a razão e faz o ser humano esquecer a lembrança de Deus:

“Saibam que a esperança excessiva distrai a mente e faz esquecer a lembrança de Deus.”

Ao mesmo tempo, no Sermão 12, o Imam elogia pessoas que, ao longo da história, desejaram lutar contra os inimigos do Islã sob a bandeira de sua liderança.

O tema dos diferentes tipos de desejos, os efeitos das boas esperanças, os perigos da ambição exagerada por bens mundanos, os desejos dos pais para seus filhos, a necessidade de que governantes atendam às aspirações legítimas do povo e até mesmo a expressão de desejos por meio de diversas súplicas são assuntos que aparecem repetidamente e são enfatizados ao longo do Nahj al-Balagha.

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