15 março 2026 - 12:03
Sermões do Nahj al-Balagha (34): O caminho futuro das nações — humilhação ou resistência

O sermão nº 34 do Nahj al-Balagha é como um espelho no qual se pode ver o destino de dois tipos de povos: aqueles que permitem que o inimigo domine sobre eles e aqueles que escolhem o caminho da resistência. Os resultados desses dois caminhos são apresentados nas palavras do Comandante dos Fiéis, Imam Ali (a.s.), para que todos saibam que, ao escolher qualquer um deles, deverão enfrentar as consequências amargas da submissão ou os frutos doces da resistência.

De acordo com a Agência Internacional de Notícias Ahlul-Bayt (ABNA Brasil), o Sermão 34 do Nahj al-Balagha relata episódios históricos da fraqueza dos habitantes de Kufa em apoiar o seu Imam e expressa a forte queixa do Imam Ali (a.s.) em relação ao povo dessa cidade. As críticas começam com palavras severas de reprovação e terminam com orientações afetuosas centradas nos deveres mútuos entre a comunidade (ummah) e o Imam, de modo que o discurso seja ao mesmo tempo repreensão e ensinamento.

Contudo, se olharmos para esse sermão além do contexto histórico do governo do Imam Ali (a.s.), podemos dividi-lo em três partes principais:

  1. Uma parte em que o Imam descreve a situação de qualquer povo que se rende diante de invasores e opressores.
  2. Uma segunda parte em que ele apresenta o destino daqueles que escolhem o caminho da resistência e permanecem firmes diante do inimigo.
  3. Uma terceira parte que explica os deveres recíprocos entre a comunidade e a liderança religiosa em qualquer época em que governantes guiados pela religião estejam no poder.

O Imam Ali (a.s.), ao descrever as pessoas que abandonam a resistência contra o inimigo, afirma:

Acaso aceitastes a vida deste mundo em lugar da vida do Além? E trocastes a honra pela humilhação? Quando vos convoco para lutar contra o vosso inimigo, vossos olhos giram de medo, como se estivésseis dominados pelo pavor da morte e atordoados como embriagados! Minhas palavras não penetram em vossos ouvidos; permaneceis confusos e perdidos, como se vossos corações estivessem fechados e não compreendêsseis nada.

Em seguida, ele explica o resultado do medo, da fraqueza e da negligência:

Por Deus! Aquele que permite que o inimigo domine sobre si a ponto de devorar sua carne, quebrar seus ossos e rasgar sua pele possui uma incapacidade enorme e uma vontade extremamente fraca dentro do peito.

Alguns comentaristas do Nahj al-Balagha consideram essas expressões como metáforas para os acontecimentos que ocorrem quando um inimigo passa a dominar um povo ou uma cidade. A frase “devorar sua carne” é interpretada como referência ao saque das riquezas e propriedades; “quebrar seus ossos” como referência ao assassinato de pessoas; e “rasgar sua pele” como indicação da destruição da ordem social. A história oferece inúmeros exemplos desse tipo de situação.

No entanto, o Imam Ali (a.s.) afirma claramente que ele — e qualquer pessoa que o considere seu guia e líder — jamais abandonará o caminho da resistência e da luta:

Quanto a mim, por Deus, antes de me render, golpearei com a espada afiada ‘Mashrafiyya’ de tal forma que fragmentos de crânios voarão e braços e pernas serão separados. Depois disso, Deus fará o que desejar.

Alcançar o grau do martírio ao enfrentar o inimigo, ou aceitar o decreto divino depois de cumprir todos os deveres religiosos e de luta, é uma das características mais importantes daqueles que colocam a obediência a Deus no centro de suas vidas.

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