3 maio 2026 - 10:04
O lugar da taqiyya (dissimulação prudente) na visão do Líder da Revolução Islâmica (que Deus o preserve)

A taqiyya, do ponto de vista do Líder da Revolução, é o escudo inteligente do crente e uma jihad oculta para preservar a fé e realizar os objetivos. Na política externa, é complemento da honra e da sabedoria.

Agência Internacional de Notícias Ahlulbayt (ABNA): Qual é o lugar da taqiyya na visão do Líder da Revolução Islâmica e como ela é mencionada como um método ativo do crente na política e na vida?

O conceito de «taqiyya» na história do pensamento xiita sempre foi objeto de discussão e, por vezes, de incompreensão. Alguns o consideram sinal de medo ou passividade, enquanto, numa visão mais precisa, trata-se de uma ferramenta para preservar a fé e cumprir os deveres em condições difíceis. As declarações do Líder Supremo da Revolução sobre este tema, especialmente as publicadas em seu site oficial (1), permitem uma releitura e análise precisa deste conceito.

A seguir, examinaremos as diferentes dimensões da taqiyya na perspectiva do Líder da Revolução, com ênfase no seu papel ativo e inteligente na política e na vida do crente.

Dimensões da taqiyya na visão do Líder da Revolução (que Deus o preserve)

1. Taqiyya: “Escudo” (Turs), e não “Medo” (Tars)

O ponto central na explicação do Líder da Revolução é a distinção clara entre «taqiyya» e «medo». Com base no hadith famoso «At-Taqiyyatu tursu al-mu’min» (A taqiyya é o escudo do crente) (2), ele apresenta a taqiyya não como sinal de fraqueza psicológica ou temor do inimigo, mas como um «escudo». Esta metáfora é muito eloquente: o escudo não faz sentido num ambiente seguro, mas no campo de batalha. Quem se esconde debaixo das cobertas não precisa de escudo; o escudo é para quem está de pé, engajado e pretende desferir golpes. Nesta visão, a própria taqiyya faz parte da ação ativa do crente no confronto com o inimigo, e não uma retirada do campo de batalha. (3)

2. Taqiyya como método de desferir golpes inteligentes

O Líder da Revolução considera a experiência das lutas antes da Revolução como testemunho vivo deste significado. Naquela época, a taqiyya não significava suspender a luta; pelo contrário, era exatamente o caminho para desferir golpes mais eficazes — golpes que o inimigo não via a «espada», mas sentia a dor. A publicação de comunicados, a organização secreta, a formação de redes ocultas e a preservação dos segredos da luta são todos exemplos de taqiyya que destruíram o prestígio do regime taghuti e abalaram seus alicerces. Portanto, a taqiyya não é a negação da jihad, mas uma forma específica de jihad: uma jihad oculta, porém com propósito definido. (4)

3. A continuidade da função da taqiyya após a formação do governo

Um dos equívocos comuns é limitar a taqiyya ao período de minoria e ausência de poder político. O Líder da Revolução rejeita explicitamente esta ideia. Em sua visão, mesmo após a formação do governo islâmico, o «campo de confronto» não terminou; apenas mudou de forma.

No mundo contemporâneo, o globalismo arrogante (estkbar) é uma força real e a República Islâmica também tem objetivos e propósitos claros. Nessas condições, não existe nenhuma obrigação racional ou religiosa para que todos os planos, intenções e caminhos sejam declarados abertamente sem cautela. Aqui, a taqiyya significa a gestão consciente das informações e o evitar a divulgação prematura de objetivos que possam abrir a mão do inimigo para contra-atacar. (5)

4. Uma lembrança de Ahmad Sekou Touré

O Líder da Revolução menciona uma lembrança de seus encontros com Ahmad Sekou Touré, líder experiente e inteligente da Guiné. Sekou Touré, que era devoto da Revolução Islâmica e havia experimentado de perto a forte pressão do globalismo arrogante, recomendou abertamente ao Líder: «O ponto fraco de vocês é que falam mais do que agem; é preciso fazer o trabalho, não anunciá-lo constantemente». O Líder afirma que, inicialmente, não aceitou esta recomendação, mas experiências posteriores mostraram que a análise era precisa. Por isso, ele adverte que, na arena da política externa, a declaração precipitada de objetivos e programas pode tornar-se instrumento de abuso por parte do inimigo. Esta é exatamente a taqiyya racional e ativa no campo do confronto global. (6)

5. Taqiyya na política externa: o terceiro pilar da racionalidade islâmica

Ao explicar os princípios da política externa, o Líder da Revolução fala do triângulo «honra, sabedoria e taqiyya». Neste sistema, a taqiyya não está em conflito com a honra nem com a sabedoria; ao contrário, é seu complemento. Honra significa evitar qualquer comportamento que leve à humilhação do Islã e dos muçulmanos; sabedoria significa avaliar as condições, os interesses e as consequências; e taqiyya significa abster-se de dizer ou mostrar indevidamente aquilo cuja divulgação não é conveniente. (7)

6. A ligação da taqiyya com a conduta dos Imames (que a paz esteja com eles)

Com base na teoria do «homem de 250 anos» no pensamento do Ayatollah Seyyed Ali Khamenei, a conduta dos Imames Ahlulbayt (que a paz esteja com eles) é um movimento contínuo, orientado e histórico prolongado que, apesar das diferenças aparentes, todos seguem uma única missão. Neste quadro, a taqiyya não é apenas uma regra secundária ou uma reação emergencial, mas parte da grande estratégia da jihad dos Ahlulbayt (que a paz esteja com eles) para a realização do Islã puro. Por exemplo, o período do Imamado do Imam Musa ibn Ja’far (que a paz esteja com ele) foi uma fase em que o califado abássida atingiu o auge da estabilidade política e do poder militar, eliminando qualquer possibilidade de confronto aberto. Nessas condições, a continuidade da linha do Imamado e a preservação da capacidade histórica do xiismo só eram possíveis por meio da jihad oculta, do ocultamento consciente dos assuntos e da proteção da rede de crentes. (8)

Conclusão

Em resumo, a visão do Líder da Revolução sobre a taqiyya oferece uma redefinição profunda e ativa deste conceito. Na sua perspectiva, a taqiyya:

  • Não é sinal de medo, mas ferramenta de resistência;
  • Pertence ao campo de confronto, e não à zona de segurança;
  • Não se limita ao período de fraqueza, mas tem sentido também na época da formação do governo;
  • Não significa humilhação, mas é um princípio ao lado da honra e da sabedoria.

Esta compreensão eleva a taqiyya de uma tática defensiva passiva motivada pelo medo para uma estratégia inteligente e jihadista — estratégia sem a qual tanto a fé quanto a ação política sofrem danos.

Notas de rodapé:

  1. Site oficial do Escritório de Preservação e Publicação das Obras de Sua Excelência Ayatollah al-Uzma Seyyed Ali Khamenei (que Deus o preserve): https://farsi.khamenei.ir/newspart-index?tid=1890
  2. Kulayni, Muhammad ibn Ya’qub, Al-Kafi, Teerã, Dar al-Kutub al-Islamiyyah, 1407 q., vol. 2, p. 221.
  3. Discurso no encontro com responsáveis e funcionários do sistema da República Islâmica do Irã, 09/11/1368 (29 de janeiro de 1990).
  4. Ibid.
  5. Ibid.
  6. Ibid.
  7. Ibid.
  8. Mensagem ao Terceiro Congresso Mundial do Imam Reza (que a paz esteja com ele), 26/07/1368, e discurso na cerimônia de abertura do Congresso Mundial do Imam Reza (que a paz esteja com ele) em Mashhad, 28/04/1365.

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