3 maio 2026 - 10:09
Defesa Sagrada e o Colete à Prova de Balas na Batalha das Narrativas

No calor da batalha, antes mesmo que a fumaça da pólvora suba ao ar, são as “palavras” que se alinham para enfraquecer as vontades. A alfabetização midiática em tempo de guerra não é uma habilidade de luxo, mas um colete à prova de balas que protege o coração e a mente da sociedade contra os ataques ocultos.

De acordo com a Agência Internacional de Ahl al-Bayt (ABNA): O clérigo Mohammad Hossein Amin, escritor e pesquisador religioso, em um artigo exclusivo para a ABNA, explica a necessidade de vigilância midiática em crises militares e a responsabilidade religiosa dos usuários diante da guerra psicológica. Leia a seguir:

O colete à prova de balas na batalha das narrativas

As guerras de hoje não são mais conhecidas apenas pelas fronteiras geográficas e pelo som das explosões. Grande parte da luta ocorre nas bandas largas da internet e nas telas dos dispositivos. Nesse conflito moderno, chamado de “guerra cognitiva”, o objetivo do inimigo não é o território, mas a conquista das crenças e a destruição da esperança do povo.

A alfabetização midiática, nessa situação, funciona como um colete à prova de balas que impede a penetração dos estilhaços da mentira e dos boatos no coração da sociedade. Se não soubermos distinguir a notícia verdadeira da falsa, acabamos nos tornando, sem querer, a infantaria do inimigo: cada compartilhamento irrefletido planta medo e pânico no coração dos nossos compatriotas.

Devemos aceitar que, em tempo de guerra, os meios de comunicação são parte das ferramentas militares e que nem toda mensagem que chega até nós tem como objetivo informar. Muitos conteúdos são projetados para criar erros de cálculo na mente do público, de modo a completar, na opinião pública, a vitória militar do inimigo. Por isso, a vigilância é o primeiro passo no caminho da resistência.

A trincheira da “explicação”: Vacinação contra o vírus do desespero

Em nossos textos religiosos, há forte ênfase na preservação do ânimo e no cuidado para não enfraquecer a determinação dos combatentes e da sociedade. O Sagrado Alcorão repreende aqueles que espalham notícias alarmantes sem verificação, considerando-os causadores de fitna (sedição). Isso significa que cada usuário tem a obrigação de avaliar as consequências psicológicas antes de republicar qualquer notícia de guerra.

O princípio áureo do «تَبَیُّن» (verificação), mencionado no versículo 6 da Surata Al-Hujurat, torna-se, em tempo de guerra, uma instrução vital: «إِن جَاءَکُمْ فَاسِقٌ بِنَبَإٍ فَتَبَیَّنُوا» — “Se um ímpio vos trouxer uma notícia, verificai-a”. No espaço virtual, onde a identidade de muitos emissários de notícias permanece oculta, é preciso agir com redobrada cautela. Toda notícia que cheira a desespero, divisão ou exagero do poder do inimigo exige pausa e investigação.

Devemos vacinar a sociedade contra o vírus do desespero. Explicar os fatos e destacar os pontos fortes não significa ignorar os problemas, mas impedir o colapso psicológico da sociedade sob a pressão da propaganda inimiga. A trincheira da alfabetização midiática é o lugar onde fé e consciência se entrelaçam para frustrar os objetivos do inimigo.

Hazrat Zaynab (s.a.): Modelo de jihad midiática na era da ansiedade

Se buscarmos o mais elevado exemplo de alfabetização midiática e gestão de mensagens em tempos de crise, brilha o nome luminoso de Hazrat Zaynab Kobra (s.a.). No palácio de Yazid, em meio às condições mais difíceis físicas e espirituais, ela não permitiu que a narrativa falsa do inimigo sobre o evento de Karbala se consolidasse. Com sua palavra penetrante, transformou a “vitória militar temporária” de Yazid em uma “derrota midiática permanente”.

A frase histórica «مَا رَأَیْتُ إِلَّا جَمِیلًا» (“Não vi senão beleza”) representa o auge da alfabetização midiática e da perspicácia divina. Em vez de se concentrar nas aparentes desgraças que o inimigo desejava, ela destacou os aspectos heroicos e divinos do movimento. Nós também, em tempo de guerra, devemos agir de forma zaynabi: não permitir que o inimigo, por meio da mídia, troque o lugar do carrasco pelo do mártir, nem apresente suas derrotas como vitórias.

Hoje, cada telefone celular pode ser um púlpito zaynabi ou uma tribuna yazidi. A escolha é nossa: com o fortalecimento da nossa alfabetização midiática, sermos mensageiros de honra e poder, ou, com ingenuidade, abrirmos caminho para os objetivos dos mal-intencionados. Nossa responsabilidade nesta era não é menor que a dos combatentes que lutam na linha de frente contra o inimigo agressor.


Fontes e notas de rodapé:

  1. Khamenei, Seyyed Ali, discurso no encontro com pregadores religiosos (referência ao conceito de guerra cognitiva), julho de 2023.
  2. Kulayni, Mohammad ibn Ya’qub, Al-Kafi, vol. 2, p. 371 (capítulo sobre ocultar e revelar segredos; sobre a necessidade de discrição em tempos sensíveis).
  3. Surata An-Nisa, versículo 83: “E quando lhes chega uma notícia de segurança ou de temor, eles a divulgam...”.
  4. Surata Al-Hujurat, versículo 6.
  5. Sayyed ibn Tawus, Al-Luhuf fi Qatla al-Tufuf, p. 160 (sermão de Hazrat Zaynab em Kufa e Damasco).
  6. Majlisi, Mohammad Baqer, Bihar al-Anwar, vol. 45, p. 116 (narração famosa: “Não vi senão beleza”).
  7. Imam Sajjad (a.s.), Sahifa Sajjadiyya, Oração 27 (oração pelos guardiões das fronteiras; referência à necessidade de proteger as fronteiras intelectuais e geográficas).

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