De acordo com a Agência Internacional de Notícias Ahlul-Bayt (ABNA Brasil), o Sermão 34 do Nahj al-Balagha relata episódios históricos da fraqueza dos habitantes de Kufa em apoiar o seu Imam e expressa a forte queixa do Imam Ali (a.s.) em relação ao povo dessa cidade. As críticas começam com palavras severas de reprovação e terminam com orientações afetuosas centradas nos deveres mútuos entre a comunidade (ummah) e o Imam, de modo que o discurso seja ao mesmo tempo repreensão e ensinamento.
Contudo, se olharmos para esse sermão além do contexto histórico do governo do Imam Ali (a.s.), podemos dividi-lo em três partes principais:
- Uma parte em que o Imam descreve a situação de qualquer povo que se rende diante de invasores e opressores.
- Uma segunda parte em que ele apresenta o destino daqueles que escolhem o caminho da resistência e permanecem firmes diante do inimigo.
- Uma terceira parte que explica os deveres recíprocos entre a comunidade e a liderança religiosa em qualquer época em que governantes guiados pela religião estejam no poder.
O Imam Ali (a.s.), ao descrever as pessoas que abandonam a resistência contra o inimigo, afirma:
“Acaso aceitastes a vida deste mundo em lugar da vida do Além? E trocastes a honra pela humilhação? Quando vos convoco para lutar contra o vosso inimigo, vossos olhos giram de medo, como se estivésseis dominados pelo pavor da morte e atordoados como embriagados! Minhas palavras não penetram em vossos ouvidos; permaneceis confusos e perdidos, como se vossos corações estivessem fechados e não compreendêsseis nada.”
Em seguida, ele explica o resultado do medo, da fraqueza e da negligência:
“Por Deus! Aquele que permite que o inimigo domine sobre si a ponto de devorar sua carne, quebrar seus ossos e rasgar sua pele possui uma incapacidade enorme e uma vontade extremamente fraca dentro do peito.”
Alguns comentaristas do Nahj al-Balagha consideram essas expressões como metáforas para os acontecimentos que ocorrem quando um inimigo passa a dominar um povo ou uma cidade. A frase “devorar sua carne” é interpretada como referência ao saque das riquezas e propriedades; “quebrar seus ossos” como referência ao assassinato de pessoas; e “rasgar sua pele” como indicação da destruição da ordem social. A história oferece inúmeros exemplos desse tipo de situação.
No entanto, o Imam Ali (a.s.) afirma claramente que ele — e qualquer pessoa que o considere seu guia e líder — jamais abandonará o caminho da resistência e da luta:
“Quanto a mim, por Deus, antes de me render, golpearei com a espada afiada ‘Mashrafiyya’ de tal forma que fragmentos de crânios voarão e braços e pernas serão separados. Depois disso, Deus fará o que desejar.”
Alcançar o grau do martírio ao enfrentar o inimigo, ou aceitar o decreto divino depois de cumprir todos os deveres religiosos e de luta, é uma das características mais importantes daqueles que colocam a obediência a Deus no centro de suas vidas.
Your Comment