31 março 2026 - 11:02
Como lidar com os enganados pela fitna no Nahj al-Balagha

A natureza da fitna é tal que, em toda crise, algumas pessoas atravessam as dificuldades com paciência, enquanto outras escorregam e colocam a si mesmas e aos demais em situação de risco.

Agência Internacional AhlulBayt (A.S.) – ABNA Brasil: A palavra “fitna” é um dos termos mais recorrentes no conjunto de conceitos do Alcorão e das tradições islâmicas. Os estudiosos da língua mencionam, de modo geral, três significados principais para ela: primeiro, “fundir no fogo”; segundo, “prova e آزمون”; e terceiro, “perturbação e desordem nos assuntos”. Entre esses significados, o segundo — ou seja, a prova — possui um alcance conceitual mais amplo; no entanto, o terceiro significado tem maior relação com o sentido técnico de fitna, que se refere a acontecimentos sociais turbulentos compostos de verdade e falsidade misturadas.

Em qualquer caso, o objetivo comum por trás desses significados é a purificação das pessoas no processo das provas divinas. O crente consciente entende este mundo como uma passagem rumo à outra vida, onde cada momento é um cenário de prova e crescimento. Mu‘ammar ibn Khalid narra que o Imam Musa al-Kazim disse: “Sabes o que é a fitna?” Ele respondeu: “É uma prova na religião.” O Imam disse: “As pessoas são testadas como o ouro é fundido, e depois purificadas como o ouro é refinado.”

Um ponto importante nos processos de fitnas individuais e sociais é o desvio de algumas pessoas que não conseguem sair vitoriosas dessas provas difíceis e acabam sofrendo quedas intelectuais e morais. Na realidade, a natureza da fitna é assim: sempre há pessoas que, com paciência, superam as dificuldades, enquanto outras tropeçam e colocam a si mesmas e aos demais em perigo. Naturalmente, isso é diferente daqueles agitadores que procuram aproveitar o caos para alcançar seus objetivos maliciosos, enganando as pessoas.

Nessas circunstâncias, é necessário distinguir entre os agitadores e as pessoas comuns que foram enganadas pela fitna. Conforme afirmou o Comandante dos Fiéis, Ali ibn Abi Talib:

“Nem todo aquele que foi enganado merece repreensão.”
(Nahj al-Balagha, Sabedoria 15)

Este ensinamento demonstra que, na análise das crises sociais, não se deve julgar todos de maneira uniforme. Há aqueles que provocam o caos conscientemente e há aqueles que, por fraqueza ou falta de discernimento, são arrastados pela situação.

Portanto, uma abordagem justa e sábia exige discernimento, diferenciação entre os grupos e tratamento baseado na justiça, evitando confundir os enganados com os verdadeiros causadores da fitna.

Tags

Your Comment

You are replying to: .
captcha