De acordo com a Agência Internacional de Notícias Ahlulbayt (ABNA):
O Hojatol Islam wal-Muslimin Mohammad Hossein Amin, escritor e pesquisador religioso, em um artigo exclusivo para a ABNA, analisa como gerenciar o consumo de notícias em tempos de crise e guerra.
O mundo de hoje é um campo de batalha de narrativas, e o principal objetivo neste campo não é outro senão o “coração do ser humano”. As notícias ruins — desde desastres naturais até crimes de guerra e turbulências econômicas — são produzidas e divulgadas de forma que pareça que o mal dominou o mundo. No entanto, para uma pessoa crente, as notícias são apenas a casca da realidade; a verdade do universo é escrita em outro lugar. O desespero, neste espaço, não é uma reação natural, mas sim a rendição a um plano sombrio que deseja romper o vínculo entre a criatura e o Criador.
Releitura da geometria do universo: para além das manchetes
O primeiro passo para se proteger do bombardeio de notícias ruins é corrigir a visão em relação ao mundo. O Sagrado Alcorão nos ensina que o mundo tem um Dono e nenhuma folha cai sem Sua permissão:
“Wa ma tasqutu min waraqatin illa ya’lamuha” (Surata Al-An’am, 59).
Por mais terríveis que sejam as notícias ruins, elas estão dentro do círculo do poder e da sabedoria divina. Quando sabemos que Allah domina toda a existência, deixamos de ver as notícias como se o mundo tivesse sido abandonado à própria sorte. Esta visão concede ao ser humano uma tranquilidade interior que não é abalada nem mesmo no meio do caos.
O desespero nasce de “ver apenas as causas e não ver Aquele que é a Causa das causas”. Quem fica apenas grudado na tela da televisão ou do celular vê os poderes materiais como grandes e os problemas como insolúveis. Mas a religião nos ensina que as notícias são apenas uma parte da face do mundo, enquanto o interior do mundo está nas mãos de Deus.
Devemos saber que muitas notícias ruins são produzidas com o objetivo de gerar “medo”. Porém, se o coração estiver ancorado na fé em um Deus cuja poder está acima de todos os poderes, ele não se submeterá a essas notícias e o estresse não nascerá delas. A fé nos ensina o seguinte princípio divino:
“Inna ma’al ‘usri yusra, fa inna ma’al ‘usri yusra” (Surata Al-Inshirah).
A escolha é nossa: ou dar ouvidos às “trombetas do desespero” ou ao “cântico da Revelação” que diz que após toda dificuldade vem a facilidade. Na verdade, a gestão da mente diante das notícias é considerada um Jihad Akbar (grande esforço) no mundo moderno.
Gestão das entradas da alma
Nos ensinamentos religiosos, assim como há sensibilidade em relação à comida que colocamos na boca, também há ênfase nas “comidas auditivas e visuais”. A alma humana tem capacidade limitada; se for preenchida com um monte de notícias amargas e inúteis, não sobrará espaço para a germinação da esperança. O Imam Hassan Mujtaba (que a paz esteja com ele) disse:
“Admiro-me daqueles que pensam na comida do corpo, mas não refletem sobre a comida da alma e do espírito.”
Isso significa que temos o direito e o dever de nos proteger contra o bombardeio de notícias. Evitar a “curiosidade noticiosa” (bisbilhotar notícias inúteis e geradoras de estresse) é uma necessidade ética. Muitas notícias que nos angustiam não aumentam nosso conhecimento nem temos poder para mudá-las. Então, por que sujar o espelho da alma com sua poeira?
O Islã nos ensina que o tempo é o bem mais precioso. Em tempos de ocultação e fitnas (tentações), recomenda-se que o crente se dedique à reforma de si mesmo e de seu entorno, evitando afogar-se em clamores vãos. Isso não significa indiferença, mas sim “preservar a energia para uma ação eficaz”.
Quando ouvimos uma notícia ruim, devemos suavizá-la com menção a Deus (dhikr) e súplica (du’a). A oração não é fuga da realidade, mas conexão com a Fonte do Poder. Quando as notícias ruins se multiplicam, buscar refúgio no escudo resistente da “Wilayat dos Ahlulbayt” e na recitação de versículos portadores de boa nova salva nossa alma do desgaste. O Imam Sadiq (que a paz esteja com ele) disse:
“Admiro-me de quem se assusta com quatro coisas e não se refugia nas quatro...” (referindo-se aos dhikrs protetores, especialmente “Hasbunallahu wa ni’mal wakil”).
Estes dhikrs são o antídoto contra os venenos das notícias e impedem que o desespero se espalhe no coração.
Atividade em vez de passividade: a esperança à luz da ação
O desespero é fruto de “ser apenas espectador”. Quando apenas assistimos aos sofrimentos, sentimos vazio e impotência. Mas o Islã nos chama à “ação”. A menor boa ação é o maior inimigo do desespero. Se chega notícia de pobreza, ajudemos; se chega notícia de guerra, façamos esclarecimento e oremos. O Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele) disse:
“Se a Hora (Dia do Juízo) chegar e um de vocês tiver uma muda na mão, que a plante antes de se levantar, se puder.”
A esperança, na visão xiita, tem uma ligação inseparável com o conceito de “Intizar” (espera pelo Salvador). Intizar não significa ficar sentado e se lamentando, mas estar em prontidão para mudar a situação atual. Quem espera pelo Reformador vê toda notícia ruim como um sinal da necessidade do mundo por justiça, e sua motivação para o autodesenvolvimento e a transformação social aumenta. Na verdade, para quem espera, as notícias ruins são um despertador, não uma canção de ninar do desespero. Ele sabe que a escuridão da noite anuncia a proximidade da aurora:
“A laysa as-subhu bi qarib?” (Acaso a manhã não está próxima?).
Conclusão
Por fim, devemos lembrar que a vitória final pertence aos piedosos. Esta é uma promessa divina infalível. As notícias do dia a dia podem ser amargas, mas o título final da história foi escrito por Deus:
“Ja’a al-haqqu wa zahaqa al-batil” (Surata Al-Isra, 81).
Em vez de nos afogarmos nas notícias do “que está acontecendo”, apeguemo-nos às notícias do “que é” e às “promessas divinas”. Quem tem Deus nunca chega a um beco sem saída, porque Ele mesmo é o Abridor de todos os caminhos.
Fontes e notas de rodapé:
۱. Alcorão Sagrado, Surata Al-An’am, versículo 59.
۲. Nahj al-Balagha, Sabedoria 1.
۳. Alcorão Sagrado, Surata Al-Baqarah, versículo 268.
۴. Majlisi, Muhammad Baqir, Bihar al-Anwar, vol. 1, p. 218, Dar Ihya al-Turath al-Arabi, Beirute.
۵. Shaykh Saduq, Man La Yahduruhu al-Faqih, vol. 4, p. 392, Escritório de Publicações Islâmicas, Qom.
۶. Nuri, Mirza Husayn, Mustadrak al-Wasa’il, vol. 13, p. 460, Instituto Aal al-Bayt, Qom.
۷. Alcorão Sagrado, Surata Hud, versículo 81.
۸. Alcorão Sagrado, Surata Al-Isra, versículo 81.
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