A Agência Internacional AhlulBayt (a.s.) – ABNA Brasil – informa que a visão sobre a mulher e sua dignidade sempre constituiu um dos eixos centrais nos pronunciamentos do Aiatolá Khamenei (que Deus prolongue sua sombra). Apoiado no Alcorão Sagrado e na tradição da AhlulBayt (a.s.), ele apresenta uma visão abrangente e equilibrada da mulher, na qual ela está ao lado do homem em termos espirituais e humanos, e possui dignidade, direitos e uma posição singular tanto na família quanto na sociedade. Este artigo, ao revisar seus discursos ao longo dos diferentes períodos, busca delinear uma imagem clara da “mulher no padrão da Revolução Islâmica” sob a perspectiva do Líder da Revolução.
Na era contemporânea, duas visões extremas sobre a mulher têm predominado: a visão ocidental, que ao instrumentalizar a mulher como objeto de prazeres momentâneos e de exploração capitalista atinge sua dignidade humana; e a visão tradicional ignorante, que considerava a mulher como um ser marginalizado e privado de direitos básicos. Em contraposição, o Islã autêntico e, consequentemente, o pensamento progressista do Imam Khamenei apresentam uma perspectiva completamente distinta e elevada. Em encontros com diversos grupos femininos — especialmente por ocasião do aniversário do nascimento de Fátima al-Zahra (a.s.), data designada como Dia da Mulher no Irã — ele tem aprofundado essa visão.
1. Dignidade Intrínseca e Igualdade no Caminho da Perfeição
Na visão do Aiatolá Khamenei, o primeiro e mais importante fundamento para compreender o lugar da mulher é sua dignidade humana intrínseca. Ele enfatiza que mulher e homem compartilham a mesma essência humana e, no caminho rumo aos ápices da perfeição e da proximidade divina, não há diferença entre eles.
Em 30/07/1376 (calendário iraniano), em reunião com mulheres da província de Teerã, afirmou:
“O Islã é defensor do aperfeiçoamento do ser humano. Para o Islã, não há diferença entre mulher e homem. O que importa não é o gênero, mas o crescimento humano... Do ponto de vista humano e divino, não há diferença entre eles.”
Para sustentar essa afirmação, ele recorre aos versículos do Alcorão, entre eles o versículo 35 da Surata Al-Ahzab, no qual dez qualidades espirituais são mencionadas igualmente para homens e mulheres. Segundo ele:
“Nesse versículo, dez títulos de valores espirituais são mencionados... Homem e mulher avançam lado a lado nesse campo. O Islã quebra o ídolo do ‘machismo’ que nas eras de ignorância era adorado pelos homens e até por algumas mulheres.”
2. Fátima al-Zahra (a.s.): Modelo Integral da Mulher Muçulmana
Na visão do Líder da Revolução, Fátima al-Zahra (a.s.) é apresentada como o modelo mais completo para as mulheres — e até mesmo para os homens. Ele destaca a integração harmoniosa entre diferentes dimensões de sua personalidade.
Em 12/09/1404 (calendário iraniano), em encontro com mulheres e meninas, descreveu-a assim:
“Fátima al-Zahra (a.s.), em todas as dimensões da vida, é um ser celestial; tanto na adoração e humildade diante de Deus, quanto no altruísmo para com as pessoas, na resistência diante das dificuldades e provações, na defesa corajosa dos oprimidos, na explicitação das verdades e na compreensão e atuação política.”
Ele também sublinha um ponto essencial: a conciliação entre grandeza espiritual e vida doméstica. Em resposta àqueles que menosprezam o trabalho doméstico, afirmou:
“Fátima al-Zahra, com toda a sua posição, grau e grandeza, era uma dona de casa. Isso não é uma diminuição. Ser dona de casa significa formar seres humanos; significa produzir o mais elevado produto da criação: o ser humano. É isso que significa administrar o lar.”
3. O Lugar da Mulher na Família: Raihanah, não Qahramanah
Uma das expressões mais belas e recorrentes utilizadas pelo Líder sobre a mulher na família é baseada no hadith profético: “A mulher é uma flor (raihanah) e não uma serva rude.” (1)
Em 30/07/1376, ao comentar o versículo 21 da Surata Ar-Rum, afirmou:
“A natureza divina do homem e da mulher no ambiente familiar cria entre eles uma relação de amor e misericórdia (‘mawaddah wa rahmah’). Se essa relação se transforma em sentimento de posse ou exploração, isso é injustiça — e infelizmente muitos homens cometem essa injustiça.”
Em 29/12/1395 (calendário iraniano), ao explicar o hadith, acrescentou:
“Uma flor é necessária, mas requer cuidado... A mulher não é responsável por servir como empregada. Se numa família a mulher for vista dessa maneira, sua dignidade, respeito e tratamento afetuoso trarão segurança e tranquilidade para ela.”
4. Direitos da Mulher no Lar: Amor, Segurança e Gestão
Segundo o Líder, os direitos da mulher no lar não se limitam ao sustento financeiro. O mais importante é o amor e a ausência de violência.
Em 12/09/1404 declarou:
“O direito mais importante da mulher no lar é o amor. A tradição recomenda que o homem declare explicitamente à esposa que a ama... Outro direito essencial é a ausência de violência. A gestora do lar é a mulher. As tarefas domésticas não devem ser impostas a ela. É preciso reconhecer que, mesmo diante de recursos limitados, são as mulheres que mantêm o lar funcionando.”
5. Presença Social da Mulher: Responsabilidade e Participação
Contrariando certas percepções, a visão islâmica apresentada pelo Líder não se opõe à presença social da mulher; ao contrário, considera-a um direito e uma responsabilidade.
Em 30/06/1379 afirmou:
“No Islã, o juramento de lealdade das mulheres, sua propriedade e sua presença nas arenas políticas e sociais estão estabelecidos: ‘Quando as mulheres crentes vierem a ti para prestar juramento...’ (2). O Profeta não disse que apenas os homens deveriam jurar e as mulheres simplesmente seguir. Não. As mulheres também participam da aceitação do governo e da ordem social. O Ocidente está mil e trezentos anos atrás do Islã nesse aspecto!”
Em 13/04/1386 reforçou:
“Quando o Islã diz: ‘Os crentes e as crentes são aliados uns dos outros’, isso significa que homens e mulheres compartilham a responsabilidade de preservar o sistema social e promover o bem. Não podemos excluir as mulheres. A responsabilidade pelo progresso da sociedade islâmica recai sobre todos — mulheres e homens — cada qual conforme suas capacidades.”
6. Crítica à Visão Ocidental
O Líder traça constantemente a distinção entre a visão islâmica e a visão ocidental sobre a mulher, alertando contra a imitação da cultura ocidental decadente.
Em 30/06/1379 declarou:
“Nos meios de comunicação globais, por muitos anos, aqueles que não atribuem valor à dignidade humana senão em termos financeiros transformaram a questão da mulher em instrumento de lucro e comércio cultural.”
Em 29/12/1395 acrescentou:
“Na cultura europeia ocidental, há uma conspiração sionista que busca desestruturar a sociedade humana, transformando a mulher em mero objeto de prazer para o homem.”
Conclusão
A análise dos discursos do Aiatolá Khamenei revela uma visão abrangente, profunda e fundamentada no Alcorão e na Sunnah. Nessa perspectiva, a mulher caminha ao lado do homem rumo à perfeição espiritual (igualdade na humanidade), é na família como uma flor que deve ser amada e protegida (dignidade familiar), e na sociedade possui responsabilidade e capacidade de influência (presença social).
Ao criticar tanto as visões extremistas quanto as negligentes, ele propõe um terceiro modelo: aquele em que a mulher muçulmana iraniana, preservando seu hijab e sua castidade, destaca-se nas esferas científica, política e social, tornando-se inspiração para mulheres livres ao redor do mundo.
Notas de Rodapé
- Referência ao hadith: «إنَّ المَرأَةَ رَیحانَةٌ و لَیسَت بِقَهرَمانَةٍ»; Nahj al-Balagha, carta 31.
- Alcorão, Surata Al-Mumtahanah (60), versículo 12.
Fontes dos Discursos
– Discurso no encontro com as mulheres da província de Teerã (30/07/1376).
– Discurso no encontro com um grande grupo de mulheres (30/06/1379).
– Discurso no encontro com milhares de mulheres e meninas (12/09/1404).
– Discurso no encontro com um grande grupo de mulheres destacadas (13/04/1386).
– Discurso no encontro com mulheres por ocasião do nascimento de Fátima al-Zahra (a.s.) (29/12/1395).
– Discurso no encontro com enfermeiras (20/07/1373).
– Discurso no encontro com o povo do Khuzistão (20/12/1375).
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