15 março 2026 - 12:01
Sermões do Nahj al-Balaghah 33 / Eliminar o falso: o modo de manifestação da verdade

O estabelecimento da verdade sempre foi o objetivo final de todos os combatentes ao longo da história; uma luta contínua e permanente até a vitória definitiva da frente da verdade. No Sermão 33 do Nahj al-Balaghah, o Imam Ali (a.s.) declara que o propósito da formação do governo, bem como de todos os esforços individuais no jihad, é unicamente “estabelecer a verdade e anular o falso”.

ABNA Brasil: O Sermão 33 do Nahj al-Balaghah é um dos poucos em que Sayyid Razi também registra os breves acontecimentos que o antecederam. Esse diálogo, ocorrido entre ‘Abdullah ibn ‘Abbas e o Amir al-Mu’minin (a.s.), figura entre as palavras mais conhecidas do Imam Ali (a.s.) entre os muçulmanos; contudo, por algumas razões, a parte principal desse sermão acabou sendo negligenciada. Neste breve texto, busca-se apresentar explicações sobre ambas as partes.

Na introdução do sermão, o Imam considera uma “sandália remendada” — que pode ser entendida como símbolo do mundo — mais valiosa do que o governo, “a menos que eu estabeleça um direito ou afaste um falso” (illā an uqīma ḥaqqan aw adfa‘a bāṭilan). Quando se sabe que, à época, a extensão do governo alida ia do atual Balkh, no Afeganistão, até a Armênia, estendendo-se até Trípoli, na Líbia — abrangendo cerca de 30 países atuais —, o sentido dessa afirmação torna-se ainda mais claro.

Na parte principal do sermão, proferida diante de tropas prontas para o combate na Fitna do Jamal, o Imam Ali (a.s.), ao recordar o período da missão profética do Mensageiro de Deus (s.), descreve assim o seu papel no estabelecimento do domínio islâmico:
“Por Deus, eu estive na vanguarda desse exército até que ele se afastou por completo; jamais fui incapaz nem covarde.”
(Amā wa-llāhi in kuntu lafī sāqatihā ḥattā tawallat bi-ḥadhāfīrihā mā ‘ajaztu wa lā jabuntu.)

Em seguida, enfatizando que o objetivo dessas guerras é o mesmo que hoje o move no enfrentamento aos instigadores do Jamal, afirma:
“Este meu caminho é igual àquele.”
Com isso, equipara a batalha do Jamal às lutas contra os incrédulos no tempo do Profeta (s.), apresentando-se nesse caminho com a mesma firmeza e ausência de hesitação que demonstrou nas batalhas da época profética.

Nesta parte do sermão, o Amir al-Mu’minin (a.s.) retorna ao tema verdade e falsidade e declara:
“Certamente rasgarei o véu do falso até que a verdade saia do seu flanco.”
(Fa-la-anqubanna al-bāṭila ḥattā yakhruja al-ḥaqqu min janbih.)

Dessa afirmação, extraem-se alguns pontos: o falso, em geral, reveste-se de uma aparência de “verdade”; enquanto esse véu — causa de grande negligência — não for rompido e removido, não se cria a possibilidade da manifestação da verdade.

A semelhança entre essa frase e a afirmação inicial do sermão, que atribui valor ao governo apenas quando ele estabelece a verdade e elimina o falso, pode indicar o principal objetivo do governo islâmico. É evidente que tal objetivo não se alcança com esforços de curto prazo; a luta entre a verdade e o falso continuará de forma constante e permanente enquanto houver inimigos da verdade.

Há ainda outro sermão do Imam Ali (a.s.) proferido durante a marcha rumo a Basra e aos acontecimentos do Jamal. Se considerarmos esse sermão, pronunciado na região de Dhi Qar, distinto do Sermão 104, proferido no deserto de Rabadhah, encontraremos numerosas semelhanças entre ambos. A repetição das mesmas ideias, com variações de expressão, evidencia a importância central desses ensinamentos para o Imam (a.s.).

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