Durante a guerra Irã–Iraque, Soleimani comandou a 41ª Divisão Tharallah de Kerman e esteve entre os comandantes das operações Valfajr-8, Karbalá-4 e Karbalá-5. Em 1376 SH, foi nomeado por Sayyid Ali Khamenei, Líder da República Islâmica do Irã, para o comando da Força Quds, o braço extraterritorial do IRGC.
Soleimani apoiou os combatentes afegãos na luta contra o Talibã e, após os conflitos internos no Afeganistão, participou de iniciativas de reconstrução do país. Atuou também na guerra de 33 dias no Líbano e na guerra de 22 dias na Palestina, apoiando Hezbollah e Hamas contra Israel e contribuindo para o equipamento do Eixo da Resistência com armamentos avançados. Com o surgimento do Daesh (ISIS) no Iraque e na Síria, esteve presente nesses teatros, organizando forças populares e liderando o combate ao grupo terrorista. Entre seus êxitos, destaca-se o afastamento da ameaça do Daesh de Samarra, Najaf e Karbalá.
Além das atividades militares, Soleimani também atuou no campo cultural. Segundo autoridades da República Islâmica do Irã, foi fundador do Comitê de Reconstrução dos Lugares Sagrados (Atabat) e supervisionou projetos de expansão dos santuários dos Imames (a.s.). Desempenhou ainda papel relevante na facilitação da peregrinação do Arbaeen e na segurança dos peregrinos.
Em resposta ao seu assassinato, o IRGC lançou mísseis contra a base americana de Ain al-Asad, e o Parlamento do Iraque aprovou um plano para a retirada das forças americanas do país.
O corpo de Soleimani e de seus companheiros foi velado e conduzido em diversas cidades do Iraque e do Irã. Bashir Hossein Najafi e Sayyid Ali Khamenei conduziram as orações fúnebres no Iraque e no Irã, respectivamente. Segundo algumas agências de notícias, o funeral esteve entre os maiores da história, com participação estimada de cerca de 25 milhões de pessoas. Ele foi sepultado em 18 de Dey, no Cemitério dos Mártires de Kerman.
Biografia
Qasem Soleimani nasceu em 20 de Esfand de 1335 SH, na aldeia de Qanat-Malek, distrito de Rabor, província de Kerman, pertencente à tribo nômade Soleimani.[1] Aos 18 anos, ingressou no Departamento de Águas de Kerman.[2] Segundo seu próprio relato, foi um dos organizadores de manifestações e greves em Kerman e atuou na luta contra o regime monárquico durante a Revolução Islâmica.[3] Casou-se durante a guerra Irã–Iraque[4] e teve seis filhos.[5]
Em 1398 SH, por decreto de Sayyid Ebrahim Raisi, então administrador do Santuário de Imam Reza (a.s.), tornou-se servo do santuário.[6] Após o martírio, passou a ser conhecido como “Sardar-e Delha” (Comandante dos Corações), com ampla produção e difusão de materiais simbólicos e publicitários.[7] Conteúdos e imagens relacionados a ele também foram incluídos em livros didáticos de diferentes níveis no Irã.[8]
Características
São-lhe atribuídas qualidades como sinceridade (ikhlās), coragem, anseio pelo martírio, devoção e apego à Ahl al-Bayt (a.s.), lealdade à Wilāyah, espiritualidade, genialidade militar, disciplina, organização e proximidade com o povo.[9] Ayatollah Khamenei o descreveu como uma figura internacional da Resistência, formada pelo Islã e pela escola do Imam Khomeini.[10]
Período da Guerra Irã–Iraque
Após a Revolução Islâmica, em 1358 SH, Soleimani ingressou no IRGC, atuando na unidade de treinamento e como instrutor no campo de treinamento Quds do IRGC em Kerman.[11] Em 1360 SH, por ordem de Mohsen Rezaei, então comandante do IRGC, foi nomeado comandante da 41ª Divisão Tharallah em Kerman.[12] Durante a guerra imposta pelo Iraque ao Irã, esteve entre os comandantes das operações Valfajr-8, Karbalá-4 e Karbalá-5,[13] tendo sido ferido duas vezes, uma delas gravemente.[14]
Após o término da guerra, em 1367 SH, comandou por um período a Sepah Haft Saheb al-Zaman,[15] retornando depois ao comando da 41ª Divisão Tharallah. Até sua nomeação para a Força Quds, combateu redes de tráfico de drogas nas fronteiras do Irã e do Afeganistão.[16]
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